Scania R 440 no uso prático

Nossa avaliação mostrou novamente que os fabricantes brasileiros estão colocando no mercado caminhões com tecnologia e requintes de primeiro mundo. Podem, portanto, vender seus produtos em qualquer parte do planeta.

Refletindo o momento político que nos trouxe a este ponto decisivo onde, como sociedade, temos que escolher entre ceder à barbárie representada pelo terceiro-mundismo e ao mergulho mortal travestido de saída fácil que desde sempre nos tem sido oferecido ou, finalmente, abraçar a civilização. O mercado de transporte e todos que orbitam ao seu redor devem se posicionar e demonstrar uma visão clara do futuro que desejam construir. Nesse contexto, é revigorante ver chegar ao Brasil, pelas mãos de empresas comprometidas com um futuro melhor, veículos dotados de um elevado conteúdo tecnológico que refletem na sua última análise, uma postura de respeito pela sociedade, pelas pessoas e o meio-ambiente.


Uma das líderes mundiais em conectividade veicular e na automatização das operações de transporte, a empresa associou-se à Ericsson para testar a tecnologia 5G de telecomunicação e entre março e abril de 2016 o primeiro comboio de veículos automáticos da marca cruzou parte da Europa, entre a Suécia e a Holanda. No Brasil, a Scania oferece ao mercado uma escolha pragmática de soluções já existentes nos países mais avançados visando melhorar a segurança e reduzir a poluição, bem como o consumo de combustível e demais custos de operação e manutenção.


Avaliamos o modelo R440 Streamline 4x2 com entre-eixos de 3550mm, como o próprio nome indica, com motor de 440cv e caixa automatizada de 14 velocidades. A primeira característica que salta aos olhos é que a engenharia dos modelos Scania é literalmente construída ao redor do homem. Em vários detalhes, essa atenção está presente: no volante regulável em três direções e na amplitude do posto de direção, capaz de acomodar motoristas de maior estatura com facilidade; na concentração de comandos na coluna e excelente visibilidade geral; nos assentos com duplo apoio lombar regulável e em outros detalhes ainda menores, como a curvatura da escada de acesso, que ajuda muito no uso prático diário do veículo.


A cabina, com pé direito de pouco menos de1,80m, dispõe de duas camas largas e confortáveis, gaveteiros, geladeira e amplo espaço. O acabamento em cores sóbrias e detalhes metálicos foscos dá uma atmosfera agradável ao local de trabalho, no qual o motorista deve permanecer atento mas, ao mesmo tempo, confortável. O posto do motorista tem visibilidade perfeita em todas as direções, dos instrumentos, à frente e pelos espelhos. Os comandos estão todos concentrados ao redor da coluna de direção e da posição natural das mãos do motorista, racionalizando e tornando o trabalho natural e intuitivo. Do lado do motorista, uma cortina protege contra o sol.

Inspeção do veículo

Um giro rápido ao redor do veículo, fazemos a inspeção de pré-partida e estamos prontos para sair. Os poucos pontos de inspeção – funcionamento das luzes, inspecionado através de controle remoto na chave, refrigerante, lavador, óleo do motor e da caixa de câmbio - são facilmente acessíveis ao motorista e também contam com sensorização eletrônica e alarmes no painel, bem como todos os demais numerosos parâmetros de controle conectados à telemática.Todos veículos Scania produzidos desde maio de 2016 vêm com o módulo de comunicação via GPRS que suporta o que a montadora denomina “Serviços Conectados”. Hoje, cerca 5.000 unidades utilizam os serviços, que incluem mais de 30 parâmetros de monitoramento, definidos pelo cliente e podem ser nos níveis “análise”, que é oferecido grátis por 10 anos, ou “desempenho”, que inclui relató

rio diário por motorista, alerta de parâmetros excedidos, análises semanais e suporte especializado pelos concessionários da marca.
O andamento do veículo pode ser controlado através de um app específico. Na visão Scania, centrada no homem e na operação, os concessionários assumem um papel central na gestão dos clientes, efetuando coaching para orientação dos operadores, bem como várias ações que convertem os dados e informações colhidos pela telemática em conhecimento organizacional e ações efetivas de gestão para reduzir custos e melhorar a eficiência da operação dos clientes.

Programação

Instalados na cabina para partir, a primeira atividade, assim como num avião, é programar e configurar a eletrônica. O computador de bordo é o centro da comunicação entre o motorista e o caminhão Scania, uma interface amigável, dotada de ícones intuitivos e amplamente personalizável pelo motorista. Um botão central multi-função dá acesso a todas as páginas e funções, facilitando o acesso à informação e reduzindo a demanda de atenção do motorista, uma característica crítica da eletrônica embarcada que tem empurrado os desenvolvimentos de vanguarda, de comando por voz. O computador dispõe de metas separadas de velocidade para aceleração e frenagem (feita através do retarder de 5 estágios mais freio-motor), permitindo que o afastamento maior ou menor entre esses parâmetros resulte em uma condução automática mais “tensa” ou “relaxada” possa ser escolhida em função das características do trânsito para obter a máxima economia possível de combustível através do uso eficiente da automação.

A caminho

Partimos. Com aproximadamente 18 toneladas de carga, o torque de 2300N.m entre 1.000 e 1.300rpm resulta numa agilidade surpreendente, as marchas se sucedem rapidamente e numa sequência praticamente perfeita de relações de transmissão (99,95% de ajuste matemático em relação ao ideal previsto pela teoria). Em movimento, a rigidez estrutural garante um isolamento eficaz das vibrações e baixo ruído em marcha, mas nem os excelentes bancos e a boa suspensão da cabine são capazes de filtrar adequadamente as imperfeições medievais daquelas que o governo de São Paulo insiste em nos lembrar que são “as melhores estradas do Brasil”.
O piloto automático conduziu o Scania R440 na maioria do percurso de ida e volta entre São Bernardo do Campo e o litoral sul de São Paulo, mantendo o ponteiro do tacômetro praticamente todo o tempo na faixa de rotação econômica escolhida no computador de bordo. Outro instrumento importante é o indicador de fluxo de combustível, que indica continuamente quantos litros de Diesel por hora o veículo está consumido.


Controle da operação

Mas a ferramenta essencial é o Drive Support, um analisador eletrônico que está continuamente avaliando o motorista e indicando, através da interface do computador de bordo, o quanto está se aproximando ou afastando da condução ideal, inclusive em termos de segurança – o Drive Support estima através do perfil de uso dos freios o quanto o motorista tem tendência de se aproximar excessivamente do veículo à frente. O resultado final das ações de orientação do motorista, tanto no momento da operação real como em treinamento, relatórios e suporte são: redução do consumo de combustível; maior disponibilidade do veículo (menos quebras); redução do custo de manutenção (prevenção de quebras e desgaste); menor custo de seguro (menor exposição ao risco de quebras e acidentes); maior valor de revenda (certificação das condições de uso prévio para o novo comprador). Como resultado prático, os freios de serviço foram utilizados apenas seis vezes num percurso de quase 100km e o veículo foi conduzido cerca de 95% a 99% do tempo em condições otimais.

Uma nova mentalidade

Condições de operação que, no entanto, só podem ser atingidas e trazer os benefícios esperados quando as empresas reconhecerem a importância do tripé automação – telemática – capacitação profissional e passarem a gerir suas frotas com base no custo total de propriedade dos ativos e em conceitos mais amplos de retorno de investimento e sustentabilidade. Testemunhamos hoje o fracasso do modelo anterior e esperamos que as empresas capazes de abraçar a modernidade possam colher seus benefícios para consolidar o mercado. A hora é agora, quem chegar ao futuro primeiro vencerá essa corrida.