E mais a … caipirinha

Mais do que exibir belos automóveis, o salão de Frankfurt evidenciou o grande salto tecnológico da indústria automobilística

O grande destaque neste ultimo salão de Frankfurt não automóvel nenhum, mas evidenciou que carro elétrico deixou de ser tendência e virou fato. E foi adiante: o que se definiu na Alemanha foi que, dentro de poucos anos, os carros serão elétricos, conectados, autônomos. E compartilhados.

Como fonte de energia, as baterias estão sendo reduzidas em peso, dimensões e custo. A “antiga” autonomia de 150 km (o que valia há tres ou quatro anos já virou antigo…) deu um salto para 300 a 500 km. Além disso, o carro elétrico não tem necessariamente que ser movimentado por baterias, mas pode ser energizado por uma célula a combustível (“fuel-cell”) que funciona com H2 (hidrogênio) no tanque. Com soluções regionalizadas: no Brasil, por exemplo, a rede postos com bombas de etanol permite abastecer o tanque do carro elétrico com álcool e dele se obter o H2.

A conectividade ainda engatinha mas vai muito além do sistema (já presente até em carros nacionais da Ford e GM) que oferece ao motorista informações em tempo real sobre hoteis, restaurantes, estacionamentos e teatros e o conecta automaticamente ao serviço de socorro no caso de um acidente. Automóveis vão literalmente “conversar” entre si e com centrais de controle, organizando de forma objetiva o trânsito urbano e nas rodovias.

Mas o grande salto tecnológico será o carro autônomo. Dispensar o motorista é a grande revolução que dá seus primeiros passos. Aliás, em Frankfurt, a Audi exibia o novo A8 já classificado como “nível 3” na escala da automação. São cinco categorias:

Nível 1 – o carro conta com vários dispositivos para ajudar e alertar o motorista, mas este ainda deve manter absoluto controle do carro (“Hands-on”);

Nivel 2 – O motorista pode tirar as mãos do volante mas o sistema eletrônico o alerta para para assumí-lo em algumas situações (“Hands-off”);

Nivel 3 – O carro opera todos os comandos (volante, pedais) mas o motorista deve ficar atento pois pode ter que assumir o controle emergencialmente (“eyes-off”);

Nivel 4 – Só existe, por enquanto, como protótipo. Permite que o motorista se dedique a outras funções (como video-games ou filmes, por exemplo) ou até a uma “cochilada” pois o sistema é capaz de assumir todas as situações. (“mind-off”).

Nivel 5 – Automação completa: Não exige mais a presença de um motorista, que se torna mais um passageiro do veículo. (“driverless”).

A Alemanha já regulamentou os automóveis de nível 3 estabelecendo várias exigências, como guard-rails entre pistas de sentido contrário, velocidade máxima, etc.

Toda novidade traz reações. A começar dos riscos no carro autônomo. Mas só de quem se esquece das estatísticas de acidentes viários: 90% deles são provocados pelo motorista. Há os que resistem a abrir mão do prazer de dirigir. Outra questão é a situação em que o acidente é iminente e incontrolável: qual a reação de um computador quando se vê diante de desviar de um ser humano ou de outro veículo? Além do ético, o aspecto jurídico: quem é culpado por um acidente que envolve o carro autônomo? E pior: os sistemas de automação serão capazes de evitar a ação de hackers?

Mas a lista de argumentos favoráveis é maior. Só a segurança no trânsito e a redução do número de mortos e feridos em acidentes já justificaria a adoção do carro autônomo. Mas existem muitos outros, a começar da redução dos engarrafamentos. E dos automóveis necessários na garage da casa.

O carro autônomo é capaz de procurar vaga e encostar sozinho no estacionamento. E voltar diante do chamado de seu dono pelo celular. O que provavelmente será desnecessário: depois de deixar o dono no escritório, ele volta para buscar a madame em casa…

Ahhh….. quase me esqueço: o autonômo vai permitir enfrentar tantas caipirinhas ou taças de vinho quantas desejar seu dono!