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TRANSIÇÃO PARA O FUTURO

Conectividade, automação, compartilhamento e eletrificação são assuntos do momento e, como esperado, dominaram os trabalhos técnicos, conferências e debates no 26º Congresso SAE Brasil, em São Paulo, na semana passada. Essas quatro vertentes, na verdade, estão em verdadeira ebulição no mundo, provocam discussões algumas vezes acaloradas e inúmeras soluções alternativas. Tudo distribuído em 17 painéis e 151 relatórios, sendo 116 inéditos.

O tema central do congresso este ano foi “A mobilidade inteligente e a transição para o futuro”. A transição, realmente, é o que gera muitas dúvidas ou mesmo especulações. Uma das preocupações, externada por palestrantes, aponta para segurança dos dados em um mundo conectado. Ainda pairam desconfianças sobre a tal “blindagem” contra hackers do mal ou, simplesmente, falhas tecnológicas.

A solução de veículos autônomos, por exemplo, pode passar por regiões segregadas de tráfego urbano ou rodoviário onde todos os veículos – não apenas alguns – teriam condições de trocar informações em tempo real e evitar muito provavelmente 100% dos acidentes.

No último dia do Congresso ocorreu a primeira colisão leve, em Las Vegas, estado de Nevada (EUA), entre um estreante micro-ônibus autônomo em viagem oficial (semicomercial) e um caminhão. Nada além de arranhões nos dois veículos, porém sem tempo de fazer parte dos debates aqui.

Mais alguns avanços são necessários, entre eles mapas digitais extremamente precisos e roteadores de tráfego de confiabilidade superior. Neste campo, aproxima-se uma batalha entre Google Maps e a Here (pertencente ao trio de ferro alemão Audi, BMW e Daimler).

Até o momento Google e seu braço Waze conseguiram posição de destaque indiscutível no mundo e no Brasil. Mas já se notam falhas de rotas em ambas as plataformas, algumas mesmo inaceitáveis, que irritam e provocam atrasos desnecessários, quando se buscava exatamente o oposto. Nada como a boa e esperada concorrência para que todos ganhem.

Doug Patton, presidente da SAE International, admitiu a falta de um modelo pronto de compartilhamento de automóveis aplicável em todo o mundo. Na opinião da Coluna trata-se de um ponto bastante relevante. Realidades e contrastes são tão diferentes até mesmo dentro de um país, como o Brasil, que é preciso relativizar a apontada “falta de interesse dos jovens pelos automóveis”. Em grandes cidades pode ocorrer graças às opções existentes, entretanto nas médias e pequenas o cenário indica ser outro.

Na exposição agregada ao Congresso, empresas tinham o que mostrar ou mesmo indicar tendências. A brasileira Moura, fabricante de baterias convencionais, tem projetos para as de íons de lítio, mas por enquanto visa apenas nichos de mercado em parceria com chineses. Por outro lado, a Eaton exibiu um sistema de redução de emissões evaporativas durante o abastecimento em postos de serviço. Essa é uma fonte primária de formação de ozônio, porém implica modificações de projeto nos veículos que demandam tempo e aumento de custos. É um problema a equacionar no futuro breve, além de modificações tanto nos postos, como nas refinarias e nos caminhões-tanque.

RODA VIVA

EMBORA sem revisar todas suas projeções para este ano, Anfavea admite que maioria dos indicadores – vendas, produção e exportação – podem ser superados. Mercado externo baterá recorde histórico graças à Argentina. Isso levou a aumento expressivo de 28,5% de produção, nos 10 primeiros meses de 2017. Em breve deixarão de existir trabalhadores afastados nas fábricas.

RENAULT anunciou meta estratégica de participação de mercado no Brasil. Dos atuais 8%, a marca francesa espera subir para 10% em 2022. Parece pouco, mas é ambicioso. Projeções da empresa apontam que os SUVs responderão por até 22% das vendas totais de automóveis no País. Detectou, ainda, certo limite para crescimento contínuo deste segmento por razões de preço.

JAGUAR F-Pace combina interior bem projetado a comportamento dinâmico que, sem ser o mais refinado, atende à maioria das situações. O SUV tem acerto de suspensão de certa forma exagerado em “esportividade”. Silêncio interno surpreende por se tratar de motor Diesel (agora de fabricação própria) de 180 cv. Boa visibilidade. Banco merece maior apoio lombar.

DURANTE evento no Haras Tuiuti, interior de São Paulo, a Mercedes-Benz demonstrou um recurso muito interessante para redução dos efeitos do estresse causado pelo ruído de colisão. Ao detectar situações perigosas, o sistema emite preventivamente o chamado “ruído rosa” com 80 dB a 86 dB entre 0,4 s e 3 s. Disponível, de início, só no novo Classe E.

APLIQUES, cor azul exclusiva e detalhes de bom gosto na edição especial da S10 comemorativa do primeiro século de produção mundial de picapes Chevrolet. Destaque para logotipo estilizado na grade. As 450 unidades numeradas (preço único de R$ 187.590 é elevado) podem se valorizar em médio prazo. Já foram fabricadas 85 milhões de picapes Chevrolet desde 1917.

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AUTÔNOMOS PARA TODOS?

A tecnologia dos carros autônomos continua a surpreender praticamente a cada semana. Muitas vezes de forma positiva, mas nem sempre. A Renault, por exemplo, acaba de fazer uma demonstração bem interessante. Desenvolveu um sistema automático capaz de desviar de um obstáculo com a mesma precisão e rapidez dos melhores pilotos de teste da companhia. Uma prova de que a inteligência artificial pode igualar ou superar a habilidade humana.

Por outro lado, a Waymo, divisão do Google que cuida de automação, começou a filmar as reações de seus funcionários em testes internos e de rua. E se assustou ao notar que motoristas dormiam ao volante a 96 km/h, quando deveriam estar prontos para assumir os comandos. A empresa anunciou agora que sua tecnologia “mãos livres” – nível três na escala de 0 a 5 – será colocada de lado em favor dos estágios mais avançados. A empresa decidiu que motorista não é passageiro e deve ficar sempre atento.

Um aspecto ainda duvidoso é a rapidez do avanço da tecnologia e, além disso, os custos envolvidos tanto no automóvel quanto na infraestrutura urbana e rodoviária. Vários fabricantes já anunciaram que por volta de 2021 ou 2022 alguns modelos poderão estar circulando com independência do motorista, se as regulamentações legais estiverem aprovadas.

Há, ainda, um longo caminho a percorrer no desenvolvimento do lidar, da câmera de altíssima resolução, do laser, do ultrassom e do radar. Sem contar os aplicativos, as reduções de custos e do número de sensores (carro não pode virar uma “árvore de Natal”), além do aumento da autonomia em modo autônomo. Exigirá milhões de quilômetros de testes em diferentes condições de piso e atmosféricas.

Alguns analistas financeiros da Bolsa de Nova York, como Rod Lache do Deutsche Bank, estão mais otimistas quanto à rapidez de introdução ao mercado. Ele até considera que empresas gigantes, como a General Motors, dominarão a tecnologia antes da badalada Tesla, a novata marca americana dedicada a automóveis elétricos.

Há, entretanto, opiniões que indicam certa prudência com o tema, mesmo no exterior. Don Walker, da sistemista Magna, prevê que em 2025 apenas 4% dos modelos novos nos EUA terão nível quatro de automação, aquele em que haverá um banco de motorista rotacional pois o veículo será autoguiável em praticamente todas as situações.

O renomado físico brasileiro José Goldemberg, em recente artigo no jornal O Estado de S. Paulo, se enquadra entre os céticos. “O enorme esforço para produzir automóveis autônomos parece ser mais um esforço de marketing do que um esforço genuíno para resolver os problemas atuais que afetam o tráfego nas grandes cidades”, pontuou. Sob o título “O futuro do automóvel – desejos e realidade” também destacou ser “pouco provável” outros métodos de locomoção virem a substituir integralmente o transporte individual e até mesmo o prazer de dirigir.

Goldemberg, de 89 anos, pode ter sido um pouco ácido ou esquecido dos idosos sem condições mais de guiar. Porém, em referência ao Brasil e países assemelhados sem infraestrutura de suporte às novas tecnologias, está coberto de razão.

RODA VIVA

CITROËN Cactus nacional será primeiro modelo (apesar das negativas da marca) com a nova arquitetura EMP2, do Grupo PSA, que dará origem a outros produtos no Brasil. Quando o modelo estrear aqui, em 2018, já terá o visual novo, sem as volumosas almofadas laterais, substituídas por apliques mais discretos na parte inferior das portas. Motor será o 1,6-L turboflex e câmbio automático 6-marchas.

PREVISÕES otimistas sobre continuidade de recuperação do mercado em 2018 estão, timidamente, em ascensão. Há apostas entre 2,4 e 2,6 milhões de unidades (incluídos veículos pesados). Até 2021, alguns executivos (em off) acreditam que o crescimento anual será de 8% a 10%. Algo perto de 3,4 milhões. Em 2022, assim, voltaríamos aos números de 2012...

LAND ROVER Discovery venceu o desafio de dimensões tão grandes parecerem menores. Volante de direção, algo exagerado em diâmetro, está lá para advertir o motorista que o espaço interno “palaciano” exige cuidados ao mudar de faixa ou manobrar. Para os 2.223 kg de massa total, só mesmo 61,2 kgfm de torque tornam o motor diesel a escolha mais adequada.

MULTAS para pedestres e ciclistas foram, finalmente, regulamentadas pelo Contran. Era uma pendência de 20 anos do atual Código de Trânsito Brasileiro. No entanto, não ficou estabelecido como se fará a cobrança, sem a qual tudo continuará como hoje. Há abusos crescentes dos chamados “novos ciclistas”, mas essa tem todo o jeito de ser mais uma lei que não pega.

APLICATIVOS de rotas alternativas, como Waze, são de fato uma mão na roda com perdão do trocadilho. Porém, não infalíveis. Há de fato pequenas falhas e até desarranjos graves ocasionais. Recentemente em São Paulo, cidade com maior número de usuários no mundo, o trânsito deu um nó em algumas regiões por indicações errôneas. Google, dono do app, não se manifestou.

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CRIATIVIDADE AO OUSAR

Aberto ao público no sábado passado, o Salão do Automóvel de Tóquio, organizado a cada dois anos, é uma exposição curta (termina no próximo dia 5) e predominantemente voltada ao próprio mercado. No entanto, tecnologias do momento que incluem carros autônomos, híbridos e elétricos são motivos de desafios que a engenharia local adora enfrentar. Considerando a chamada inteligência artificial (IA) fundamental daqui para frente, as marcas japonesas – aliás, em pleno processo de consolidação, pois não há futuro para nove fabricantes – têm muito a contribuir.

Como maior fabricante do país, a Toyota tinha muitas atrações, a principal o carro-conceito Fine-Comfort Ride. Segue a diretriz do governo nipônico que prefere veículos elétricos movidos por pilha a gás hidrogênio, no lugar de baterias. Sua autonomia chega a 1.000 km, maior portanto que a do Mirai hoje à venda. Há alguns exageros como o estranho Tj Cruiser, um crossover conceitual misto de van e SUV.

A Toyota surpreendeu ao anunciar no salão que não pretende importar ou fabricar aqui o crossover médio C-HR (porte do RAV4). Talvez tenha considerado as linhas ousadas demais para sua imagem mais contida no Brasil. Porém, acenou com um modelo de sua subsidiária Daihatsu, o DN Trec, de fato bem interessante e de tamanho menor. “Está em estudos”, admitiu Steve St. Angelo, presidente para América Latina.

Quatro modelos conceituais, todos elétricos, foram apresentados pela Honda. O mais interessante, Neu-V, aprende as preferências e humor do motorista graças à IA. Aproveitou para lançar o novo CR-V híbrido e confirmar que importará do Canadá, em meados de 2018, o excitante cupê Civic Si com motor 1,5-L, turbo de 208 cv e câmbio manual. A marca anunciou que dois terços de suas vendas em 2030 serão de elétricos ou híbridos, sem informar como se dividirá a preferência dos consumidores entre as duas ofertas. Há razões para híbridos predominarem, sem descartar um gerador a combustão para carregar baterias em tração puramente elétrica.

Nissan, por sua vez, acertou ao redesenhar o Leaf, primeiro elétrico a tentar um espaço no mercado mundial. Confirmou que vai importá-lo para o Brasil em 2019. Agora tem estilo palatável e capacidade de ser controlado com apenas um pedal para acelerar e frear (pedal de freio continua para casos extremos). A fábrica acredita que por volta de 2025 será possível um automóvel elétrico ter o mesmo preço de um convencional, mas não disse se com ou sem subsídio governamental. Um dos protótipos mais interessantes em exibição é justamente o IM-x, que integra seu conceito de mobilidade inteligente. Entre os convencionais confirmou a volta X-Trail ao País, um SUV médio que faz falta à marca.

Como todas as edições do salão japonês, há projetos sobre o inusitado. Destaque desta edição é o Flesby 2, monoposto diferente com grandes almofadas externas que o protegem em pequenas colisões e minimiza ferimentos em caso de atropelamento.

Carros convencionais também atraem visitantes. O Mazda Vision Coupe Concept antecipa como poderia ser um topo de linha de um fabricante pequeno, em busca de sobreviver. Para muitos, o modelo mais bonito em exibição.

RODA VIVA

QUANDO chegar ao Brasil, em meados de 2019, primeira picape Mercedes-Benz Classe X vai impressionar pelo requinte de acabamento e alto nível de isolamento acústico. Será produzida na Argentina (compartilha chassi e carroceria com Nissan Frontier e Renault Alaskan) com o mesmo motor diesel. Mas a topo de gama terá um V-6, 258 cv, 56 kgfm, da própria Mercedes.

PROGRAMA Brasileiro de Etiquetagem Veicular trará novidades a partir de janeiro de 2018. Considerado como certo mais um aperto para reduzir consumo de combustível (etanol e gasolina), política que deu ótimos resultados até agora com prazos factíveis. Também haverá nova metodologia de cálculo de consumo e duas novas categorias se somarão às 14 atuais.

HATCH de teto alto, JAC T40 é crossover com surpreendente evolução em estilo por preço muito bom. A marca chinesa explorou materiais mais nobres e melhorou acabamento. Espaço interno e visibilidade (inclusive espelhos) destacam-se. Motor 1,5 L, flex, 125 cv, poderia ter mais potência. A melhorar: sensibilidade da direção e suspensão menos ruidosa em desníveis.

PERÍODO mínimo de suspensão da carteira de habilitação sobe de um para seis meses a partir do dia primeiro deste mês. Penalidade se aplica para quem acumula 20 ou mais pontos por infrações cometidas em 12 meses. Por outro lado, códigos e nomes de agentes de trânsito responsáveis por autuações estarão disponíveis na internet. Decisão (correta) é do Contran. 

BASF desenvolveu tintas automobilísticas de cores escuras que mantêm a temperatura como se fossem claras. Para o Brasil faz todo o sentido. A empresa oferece no mundo paleta de 2.300 tonalidades. Dois terços da produção usam variações de apenas três cores básicas: preto, cinza e branco. No terço restante, destacam-se azul e vermelho.

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EQUINOX EQUILIBRADO EM TUDO

A participação dos SUVs no mercado brasileiro subiu de 6,8% em 2012 para nada menos de 17,4% em 2017. Do alto desses números nenhum fabricante pode deixar de atacar com mais e mais produtos. Foi exatamente o que a GM fez. Para defender sua liderança fechou a lacuna existente entre o Tracker e Trailblazer ao decidir importar do México o médio Chevrolet Equinox em sua versão de topo, a Premier.

Esse segmento inclui mais de 15 competidores, desde os nacionais Jeep Compass (este o líder em vendas destacado), Hyundai ix35 e New Tucson e até modelos mais caros da Volvo e Land Rover. No entanto, a marca americana mirou na faixa central de preço médio ponderado por vendas, que representa 50% do mercado.

A primeira surpresa é justamente o preço único de R$ 149.900. Substitui com vantagem o descontinuado Captiva por oferecer nível de equipamentos bem superior. Mesmo isento de imposto de importação, seu preço parece subsidiado pelo fabricante. Para se ter ideia o mesmo modelo, com todos os opcionais, é vendido nos EUA por cerca de R$ 120.000 (em conversão direta). Com a carga fiscal muito maior no Brasil, preço sugerido deveria superar R$ 160.000.

Seu estilo atrai, mesmo sem ousadias. A cabine tem acabamento similar ao do Cruze, com o qual partilha arquitetura. Por isso, à exceção dos bancos de couro mais requintados, há plásticos duros em excesso, porém a “pobreza” para por aí. Oferece teto solar panorâmico com abertura até o banco de trás, controle de ruído via de cancelamento por ondas sonoras, duas memórias de regulagem elétrica do banco do motorista, vedação tripla das portas, central multimídia de oito pol. com Android Auto e Apple Car Play, além de carregamento de celulares (compatíveis) por indução. Tampa do porta-malas pode ser aberta ao passar o pé por baixo do para-choque.

Apresenta um bom pacote de itens de segurança. Além de seis airbags e assistência de frenagem de emergência, há alertas de colisão frontal, ponto cego, esquecimento de pessoas ou objetos no banco traseiro e de tráfego transversal ao dar  ré. Interessante é o assoalho traseiro plano, apesar de vir com tração integral. Este sistema acionado por botão pode variar de 0 a 100% a distribuição de torque não só entre os eixos, como também entre os lados direito e esquerdo.

Motor 2-litros turbo com injeção direta de gasolina entrega 262 cv, 37 kgfm e se integra de forma perfeita a um câmbio automático de nove marchas. Esse conjunto permite acelerar de 0 a 100 km/h em 7,6 s, mais rápido que a maioria dos concorrentes. A potência flui de forma contínua, com troca de marchas pouco perceptíveis. A 120 km/h, o motor quase sussurra a apenas 1.600 rpm. Por isso, o ótimo consumo anunciado de 10,1 km/l na estrada e 8,4 km/l na cidade.

Direção e suspensões muito bem calibradas conseguem lidar bem com 1.693 kg de massa total e 4,65 m de comprimento. O Equinox, apesar de altura típica de um SUV, tem dirigibilidade próxima a de um automóvel. Pena o freio de estacionamento elétrico não ter acionamento automático nas paradas, muito útil no trânsito.

RODA VIVA

APESAR de nova rodada de pressões das concessionárias Fiat para lançamento de um SUV de maior porte com base na picape Toro, está difícil a marca italiana ceder. Alega que no Grupo FCA cabe à Jeep os utilitários esporte e não haveria razão para dividir mercado com o Compass. Na Itália, porém, Jeep Renegade e Fiat 500 X saem da mesma linha de montagem.

DURANTE Fórum Brasil-Alemanha de Mobilidade Elétrica, semana passada em São Paulo, afloraram novas dificuldades para implantação no país: custo alto das estações de recarga rápida (R$ 200.000), legislação para permitir “varejo” de abastecimento em eletropostos, falta de padronização dos plugues de recarga e transição para veículos elétricos lenta demais.

DESTAQUE para o motor Booster Jet do Suzuki Vitara e sua integração com câmbio automático tradicional de seis marchas. Trata-se de um 1,4-L turbo de 146 cv e 23,5 kgfm que assegura grande agilidade ao garantir relação peso-potência de 8 kg/cv. Pareamento de telefones via wi-fi é muito prático, sem fios para atrapalhar e ótima tela multimídia central de 10 pol.

PRIMEIRO Congresso Brasileiro do Mecânico, organizado pela Infini Mídia (revistas O Mecânico e Carro), em São Paulo, mostrou público-alvo bastante interessado em novas tecnologias e de se aproximar do corpo técnico dos fabricantes de autopeças. Palestrantes abordaram todo o setor e houve até “desentendimentos” em certos aspectos mais polêmicos.

INAUGURADO em São Paulo o Museu da Imprensa Automobilística (Miau), de responsabilidade do jornalista Marcos Rozen. Ambiente aconchegante e de muito cuidado com detalhes, inclusive cafeteria temática, promove verdadeira viagem no tempo sobre a história do setor pelo lado da comunicação especializada. Entrada a R$ 15, por tempo limitado. Contato: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

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DE OLHO NO CONSUMO

A utilização de recursos eletrônicos nos automóveis modernos levou à crescente disponibilidade de medidores de consumo de combustível. No começo a precisão não era grande, mas agora os resultados permitem ao motorista avaliar consumo médio e instantâneo em várias condições de utilização. Tornou-se dispositivo relativamente barato, presente em computadores de bordo até de modelos compactos.

Em tempos de preços altos e preocupações com emissões de CO2, é um dispositivo bastante útil. Afinal, única forma de combater o efeito estufa provocado por esse gás é economizar combustível. Filtros ou catalisadores não servem, no caso. Ao final, um monitoramento que traz vantagens pecuniárias.

Hoje os controles de consumo e emissões para homologação são feitos em testes padronizados em laboratórios, a fim de garantir repetibilidade. Este cenário começa a mudar na Europa com obrigação, em breve, de certificação nas ruas e estradas em condições reais de uso, o que trará mais credibilidade aos números.

O Grupo PSA (Peugeot, Citroën, DS e agora Opel) se adiantou. No final de 2015 começou a desenvolver um protocolo de aferição em colaboração com duas ONGs e o Bureau Veritas. Frota de 60 veículos rodou mais de 40.000 quilômetros, numa iniciativa inédita no setor automobilístico, e tornou possível agora estimativas com respeitabilidade para mais de mil versões de modelos das três marcas.

Trabalho semelhante foi anunciado semana passada no Brasil pelo Instituto Mauá de Tecnologia, de São Caetano do Sul (SP), porém com intuito específico de comparar consumo de gasolina e etanol em motores flex. Foram escolhidos quatro modelos: Fiat Uno 1,0 manual, Hyundai HB20 1,6 automático, Renault Duster 2,0 automático e Toyota Corolla 1,8 automático. Depois de instalados medidores de combustível, percorreram 15 vezes o mesmo percurso, em cidade e igual número, em estrada.

O resultado demonstrou que, na média, consumo de etanol ficou entre 70,7% e 75,4% do observado com gasolina. As referências do Programa Brasileiro de Etiquetagem estão entre 66,7% e 72,1%, porém com gasolina padrão que contém 22% de etanol anidro. Nos postos de serviço está autorizado até 27% de etanol anidro, o que aumenta um pouco o consumo de gasolina. Daí a utilidade da medição do computador de bordo para aferir o gasto em cada modelo e não deixar de economizar ao abastecer. Outra forma seria fazer cálculos entre abastecimentos ou usar aplicativos com essa função.

No entanto, deve-se observar que adição de etanol à gasolina não aumenta o consumo de forma absolutamente direta à diferença de poder calorífico (energético) entre os dois combustíveis. Etanol proporciona melhores rendimentos térmico e volumétrico ao motor. Este pode aproveitar melhor as diferenças, se bem projetado.

Testes recentes feitos na Alemanha pela Clariant em três modelos Mercedes-Benz, por 12 meses, indicaram que se o volume adicionado de 10% de etanol de cana ou celulose à gasolina alemã subisse para 20%, o consumo seria exatamente o mesmo. E ainda ajudaria na redução de CO2 no ciclo de vida do combustível. Nesse aspecto específico (CO2) rivalizaria com um motor Diesel.

RODA VIVA

COMO se esperava, novo programa de diretrizes de longo prazo à indústria automobilística vai atrasar. Batizado de Rota 2030, esperado para 1º de janeiro próximo, cria estímulos para melhorar segurança e economia dos produtos. Renúncia fiscal seria de apenas 0,5% do que recebe o conjunto do setor industrial. Ainda assim, ministérios envolvidos não se entendem.

DOS recentes boatos nos bastidores do setor um é particularmente curioso. O Grupo CAOA, que tem instalações industriais completas e corpo próprio de engenharia, aproveitaria incentivos do Rota 2030 para produzir em Anápolis (GO), além dos atuais produtos Hyundai, um automóvel elétrico de projeto próprio. A empresa nega, mas sem tanta ênfase.

AUDI Q7 tem dimensões generosas (cinco e sete lugares), mas se comporta com agilidade de um SUV menor. A começar pelo diâmetro ideal do volante, posição de guiar e respostas vigorosas do silencioso motor diesel com torque de nada menos que 61,2 kgfm. Há modo de condução semiautônoma, nível 2, sujeito a limitações de nossas ruas: faixas estreitas e mal sinalizadas.

AINDA falta aprovação em plenário da Câmara dos Deputados, mas o projeto de efeito suspensivo de multas de trânsito até última instância, ou seja, depois de julgada pela Junta Administrativa de Recursos de Infração, merece total apoio. Hoje o Código de Trânsito Brasileiro estimula o motorista a não recorrer, ao firmar prazos inviáveis, burocracia e até oferecer descontos.

ENTRE aplicações mais ousadas de inteligência artificial, uma vem sendo desenvolvida pela japonesa Sumitomo, dona das marcas Dunlop e Falken. Trata-se do sensoriamento das atividades dos pneus em movimento para um futuro não tão distante. É um algoritmo planejado para medir o desempenho em tempo real, a partir de vibração e rotação geradas.

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