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Educação adulta

Recebo uma mensagem com a foto de um pôster colado na parede uma escola, dizendo assim:

Atenção senhores pais e mães! O ano letivo iniciou e é sempre bom lembrar que…

É em casa que as crianças devem aprender:

01 – Bom dia,

02 – Boa tarde,

03 – Por favor,

04 – Com licença,

05 – Desculpe,

06 – Muito obrigado

E é em casa que também se aprende:

01 – Ser honesto,

02 – Ser pontual,

03 – Não xingar,

04 – Ser solidário,

05 – Respeitar os alunos,

06 – Respeitar os mais velhos,

07 – Respeitar os professores principalmente!

Também em casa é que se aprende:

01 – A não falar de boca cheia,

02 – A ser limpo,

03 – A não jogar lixo no chão.

Ainda em casa é que se aprende:

01 – A ser organizado,

02 – A cuidar das suas coisas,

03 – E não mexer nas coisas dos outros

Porque na escola os professores ensinam:

Matemática, Português, História, Geografia, Inglês, Ciências e Educação Física. E reforçam o que o aluno aprendeu em casa.

Que tal? Óbvio, não? Mas sabe o que me chamou a atenção? O cartaz é dirigido aos senhores pais e mães, e não aos estudantes. No fundo me lembrou aqueles avisos que a gente vê no banheiro: dê a descarga, não urine fora do vaso, lave as mãos depois de usar o banheiro. Ou então aqueles outros: não buzine na frente do hospital, não pare em fila dupla, não fure farol vermelho, respeite a faixa de pedestres…

Existe uma frase que chegou para mim como sendo de Napoleão Bonaparte, mas não tenho certeza, da qual gosto muito:

A educação de um filho deve começar 20 anos antes dele nascer.

Preocupados demais com a educação de nossos filhos, esquecemos a dos pais…

É tudo soda

Sheena Iyengar, professora na escola de negócios de Columbia, nos EUA, desenvolve um trabalho de pesquisa sobre como as pessoas realizam suas escolhas. Durante pesquisa realizada com pessoas que cresceram sob regimes socialistas/comunistas, ela fez uma curiosa descoberta. Ao receber os grupos, Sheena oferecia sete diferentes tipos ou marcas de refrigerantes, perguntando qual as pessoas desejavam. E repetidamente, ouvia “qualquer uma”, afinal era tudo soda. A percepção só mudou quando foram oferecidos água e suco além das sete sodas. Então as pessoas passaram a ver três opções: soda, água e suco.

Sheena percebeu a diferença entre quem cresceu debaixo de um regime socialista, sem opções e sem exposição ao marketing, e os norte-americanos, por exemplo, com sua devoção quase religiosa às marcas.

E ela concluiu: para nós, que estamos expostos a opções de escolha e propagandas associadas a essas opções, escolher uma marca tem mais a ver com quem nós somos do que com o que o produto é.

Essa reflexão me surgiu neste final de semana ao ver as capas das revistas semanais e as mídias sociais definindo de vez que todos os políticos e todos os partidos são iguais: é tudo soda!

A crise política que a cada dia se torna mais profunda está causando a destruição de marcas construídas ao longo dos últimos 30 anos. Partidos e políticos que laboriosamente elaboraram suas narrativas, estão se desfazendo diante da percepção popular de que é tudo soda. E isso é péssimo, pois se é tudo igual, o jeito é escolher o menos ruim.

Mas quem escolhe o menos ruim, continua escolhendo o ruim.

Moral da história: assim como fomos expostos às propagandas das sodas que consumimos, mas no final escolhemos aquelas cujo sabor mais apreciamos, fomos expostos às propagandas dos políticos e partidos e percebemos os que têm gosto ruim. E se concluímos que todos têm gosto ruim, tá na hora de mudar pra suco. Ou água.

Abra os olhos para novas narrativas, para novas propostas, para marcas que você nunca viu. Mas jamais se esqueça: o produto que você escolher tem mais a ver com quem você é do que com a marca em si.